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Associação do agronegócio amplia atuação e mira planos de educação de estados e municípios

Equipe Sociedade Civil pela Educação by Equipe Sociedade Civil pela Educação
30 de dezembro de 2025
in Educação
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Associação do agronegócio amplia atuação e mira planos de educação de estados e municípios
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A atuação do agronegócio no debate educacional brasileiro ganhou novo fôlego nos últimos anos. Após concentrar esforços na crítica a livros didáticos, a associação De Olho no Material Escolar passou a mirar diretamente planos estaduais e municipais de educação, além do próprio Plano Nacional de Educação, documento que orienta as políticas do setor pelos próximos dez anos.

Criada em 2021, no município de Barretos, em São Paulo, a entidade afirma ter surgido a partir da percepção de que haveria “significativa desinformação sobre o setor agropecuário nos materiais escolares utilizados no Brasil”, conforme descrição disponível em seu site. Desde então, o grupo ampliou sua agenda e passou a dialogar com parlamentares, propondo emendas e diretrizes sobre o que deve ser ensinado nas escolas.

O movimento começou com críticas a conteúdos de livros didáticos e avançou para temas mais amplos. Hoje, a associação defende normas de alfabetização, modelos de avaliação escolar e até mecanismos de bonificação para professores. “Quem faz o conteúdo didático não conhece o agro. E quem ensina tampouco”, explicou o advogado Henrique Silveira, vice-presidente da entidade. “Precisamos dar base”, justificou.

A chamada Donme, como é conhecida pela sigla, é presidida por Leticia Jacintho, administradora e integrante do Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, além do Núcleo Feminino do Agronegócio. Ela também é casada com Sebastião Jacintho, proprietário da Fazenda Continental, com produção de soja, cana, milho e criação de gado.

Em entrevistas, Leticia sustenta que o setor é retratado de forma enviesada nas escolas. “Há uma história única sobre o agro sendo contada nas escolas brasileiras, que mostra o agro como um setor que fomenta a injustiça, a opressão e a destruição”, afirmou à revista Perfil. “Não podemos deixar que essa história míope seja a única a ser contada a milhões de crianças e jovens brasileiros, por decisão de um pequeno grupo com parco conhecimento do assunto.”

Críticas aos livros didáticos

Em 2023, a Donme encomendou à Fundação Instituto de Administração, a FIA, um estudo intitulado “O Agronegócio do Livro Didático”. A pesquisa analisou inicialmente 94 livros, depois reduzidos a 71 títulos, e concluiu que cerca de metade das menções ao agronegócio seria “negativa ou fortemente negativa, com concentração de viés político ideológico, informações imprecisas e ausentes”.

O levantamento classifica como conteúdo negativo trechos que abordam o desmatamento ilegal para expansão da pecuária ou os riscos associados ao uso de agrotóxicos. Também questiona a ausência de bibliografia, apesar de os livros didáticos apresentarem referências e versões ampliadas destinadas aos professores.

Entre os exemplos citados estão o uso do poema “O Açúcar”, de Ferreira Gullar, para discutir condições de trabalho no campo, e uma frase atribuída a um diretor do Ibama, usada para explicar o recurso da hipérbole: “Ou os agricultores e pecuaristas interrompem imediatamente as queimadas, ou eles vão fazer do Brasil um inferno”.

Reação do setor editorial

As críticas provocaram reação de entidades ligadas à produção de livros. Em agosto, a Donme se reuniu, pela terceira vez, com representantes da Câmara Brasileira do Livro, responsável pela emissão do ISBN. O encontro contou com a presença do deputado Tião Medeiros, do Progressistas do Paraná.

Segundo uma fonte ligada à diretoria da CBL, a conversa ocorreu de forma cordial, mas houve divergências. “Uma parte da queixa é possível absorver: conversar com mais gente do setor é o nosso trabalho. Mas não aceitamos a imputação que eles fazem de que o livro não tem embasamento científico”, afirmou. “Respeitamos a base nacional comum curricular, editais, a base científica da disciplina. Ninguém tira informação da cartola.”

A Associação Brasileira dos Autores de Livros Educativos, a Abrale, também saiu em defesa dos materiais. Para a presidente da entidade, Maria Cecília Condeixa, o conteúdo produzido no país passa por avaliações rigorosas. “O material didático brasileiro é considerado de muita qualidade”, disse. “O Programa Nacional do Livro e do Material Didático tem avaliações rigorosas justamente para evitar que os livros tenham tendências, sejam parciais.”

Em nota publicada em setembro, a Abrale afirmou que autores trabalham com “fundamentação científica, não achismos”, citando fontes como FAO, Embrapa, Conab, IBGE e Inpe. O texto lembrou ainda dados do MapBiomas, que apontam a agropecuária como principal vetor de desmatamento no Brasil.

Plano Nacional de Educação no radar

Mais recentemente, a Donme passou a atuar diretamente sobre o Plano Nacional de Educação. Silveira afirma ter enviado um documento com 21 temas de emendas que teriam influenciado o projeto de lei 2614/2024, aprovado em dezembro. Entre os pontos citados estão metas de avaliação alinhadas a critérios internacionais e a ampliação de convênios com entidades sem fins lucrativos na educação infantil.

A movimentação é vista com cautela por especialistas. Para Priscila Cruz, presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação, trata-se de um grupo com orientação definida. “Trata-se de um grupo com viés ideológico bem marcado, que deveria ser transparente em relação a isso”, avalia.

Fonte: Intercept Brasil
Foto: https://br.freepik.com/fotos-premium/menino-em-casa-e-escrevendo-trabalhos-de-casa-na-mesa-em-casa-educacao-e-trabalho-escolar-com-crianca-ou-caderno-desenvolvimento-da-crianca-crescimento-e-estudar-para-teste-ou-exame-apartamento-e-conhecimento-academico-com-caneta_345815565.htm

Tags: educação
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