A Fundação Nacional de Artes (Funarte) conclui, nesta terça-feira (31), as comemorações de seus 50 anos com a abertura do Centro de Documentação e Pesquisa (Cedoc), no centro do Rio de Janeiro. A inauguração, marcada para as 10h, acontece em um imóvel histórico na Praça da República, onde funcionou o Museu da Casa da Moeda. A mudança consolida um passo importante na política de preservação da memória artística brasileira.
O Cedoc passa a operar em sede própria, após anos instalado em espaços que não pertenciam à instituição. A estrutura agora integra a Diretoria de Memória, Pesquisa e Produção de Conteúdos (Dimemo), criada em 2025 durante a reestruturação administrativa da Funarte. O novo endereço amplia as condições de guarda, catalogação e acesso ao público de um acervo que reúne mais de 2 milhões de itens.
Para a presidenta da Funarte, Maria Marighella, a data tem duplo significado. “Nesse 31 de março, a Funarte completa esse circuito de três meses de celebração de uma história, mas também valorizando, sobretudo, o papel formulador de política pública para as artes e agora com um marco de instituição da nossa Política Nacional das artes”, afirmou à Agência Brasil.
Ela destacou ainda a relevância simbólica da mudança. “O Cedoc sai de um espaço e de uma sede que não era sua, se transfere para um prédio que era o antigo Museu da Casa da Moeda, mas que hoje é um prédio do Cedoc, um prédio próprio, um patrimônio no centro do Rio de Janeiro vocacionado a preservar esse acervo”.
Coleções preservam trajetórias e movimentos artísticos
O conjunto documental reunido pelo Cedoc abrange diferentes linguagens e períodos da produção cultural no país. Entre os acervos estão os do dramaturgo Oduvaldo Vianna, do produtor teatral Walter Pinto e do diretor e pesquisador Fernando Peixoto. Esses materiais integram o Programa Memória do Mundo da Unesco, reconhecimento que destaca sua relevância histórica.
“É um acervo muitíssimo vasto e amplo que nos dá a dimensão e a grandeza dessa riqueza”, disse Maria Marighella.
A presidenta também indicou que a inauguração do espaço deve fortalecer a articulação entre instituições culturais. “Ao convocarmos, chamarmos e unirmos as instituições estamos inaugurando um ambiente de rede, dizendo que o papel da memória é o que só pode se dar se ele for na relação federativa, no sistema nacional de cultura, com os entes federados, mas sobretudo com os agentes culturais e as suas instituições”.
A Funarte pretende formalizar parcerias com entidades públicas e privadas que atuam na preservação de acervos, ampliando a cooperação e a circulação de informações.
Mostra apresenta vida e obra de Grande Othelo
A abertura do Cedoc ao público será acompanhada pela exposição Ocupação Grande Othelo, construída a partir do acervo pessoal do artista Sebastião Bernardes de Souza Prata, incorporado à instituição em 2008. A mostra reúne mais de 160 itens que ajudam a compreender a trajetória de um dos nomes mais reconhecidos das artes brasileiras.
O visitante encontrará documentos variados, como roteiros, fotografias, partituras, correspondências e objetos pessoais. Entre os destaques estão um contrato com a Rede Globo datado de 1967 e um diploma de cidadão paulistano de 1978. Há ainda registros de produção literária e homenagens musicais.
A visitação é gratuita e ocorre até 30 de setembro, de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h. A partir de maio, escolas poderão participar de visitas guiadas organizadas pelo programa educativo do Cedoc.
“O Cedoc abre suas portas com esta exposição de difusão desse acervo, e essa é uma alegria enorme. Nunca se falou tanto sobre a urgência e a necessidade de protegermos, formularmos e executarmos políticas públicas de proteção da memória das artes”, afirmou Maria Marighella.
Exposição e apresentações integram programação
As atividades do dia continuam no Palácio Gustavo Capanema, edifício histórico ligado à trajetória da Funarte. Às 16h, será aberta a exposição Visualidades Brasileiras – Funarte 50 Anos, com curadoria de Luíza Interlenghi. A mostra percorre iniciativas e políticas que marcaram a atuação da instituição desde 1976.
Entre os projetos revisitados estão os Salões Nacionais de Artes Plásticas, o Projeto Macunaíma, o Instituto Nacional de Fotografia e programas de incentivo à produção contemporânea. A abertura contará com roda de partilha e a performance Nimbo Oxalá, do artista Ronald Duarte.
Na sequência, a partir das 18h, o espaço dos pilotis recebe apresentações musicais de Cátia de França, Josyara e Juliana Linhares. O espetáculo reúne repertórios que dialogam com diferentes gerações da música nordestina e propõe encontros entre tradição e experimentação.
Segundo a Funarte, “elas compartilham um espetáculo construído a partir de escutas, atravessamentos e camadas distintas da música nordestina. A apresentação articula repertórios, gestos e sonoridades que tensionam tradição e contemporaneidade”.
Edifício histórico retoma função cultural
O Palácio Gustavo Capanema, palco das atividades, é um dos marcos da arquitetura modernista no Brasil. Construído entre 1937 e 1945, o prédio abrigou o antigo Ministério da Educação e Saúde e reúne obras de artistas como Cândido Portinari e Burle Marx.
Após um período de nove anos fechado, o edifício foi restaurado e reaberto em 2025 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Desde então, voltou a receber atividades culturais e institucionais.
As celebrações dos 50 anos da Funarte marcam também essa retomada do espaço como ponto de encontro entre público, artistas e políticas culturais. Todas as atividades programadas são gratuitas e abertas ao público.
Fonte: Agência Brasil
Foto: https://br.freepik.com/fotos-premium/celebracao-em-familia-num-evento-de-exposicao-de-arte_377611954.htm
