Com o suporte de instituições filantrópicas, como a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, o SUS se mantém na linha de frente da assistência à saúde
Prestes a completar 35 anos de existência, o Sistema Único de Saúde (SUS), fundamental para a regulamentação e desenvolvimento da saúde pública no Brasil, conta com parcerias essenciais para funcionar, incluindo as redes filantrópicas.
Apesar dos desafios enfrentados, o sistema de saúde segue sua jornada contando com um pilar fundamental, que amplia e sustenta sua capacidade de atendimento: a rede filantrópica de saúde. No país, são 1.814 Santas Casas e hospitais filantrópicos que atendem boa parte dos casos levados ao SUS.
Suporte para a rede pública

Dos mais de 184 mil leitos oferecidos pelas Santas Casas e hospitais filantrópicos, 129 mil são destinados ao SUS. A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba (ISCMC) é uma das instituições filantrópicas que seguem na linha de frente para ampliar esse acesso.
A Santa Casa de Curitiba, administrada pela ISCMC, tem se destacado não apenas na oferta de leitos e atendimentos, mas também em sua atuação voltada à inovação no serviço público de saúde. Nos últimos anos, a instituição entregou novos equipamentos de oftalmologia para modernizar os consultórios do Ambulatório Dom Eurico dos Santos Veloso, que presta atendimento 100% via SUS e recebe em média 900 pessoas por dia.
Além disso, em apenas um mês após o início da gestão da Irmandade na Santa Casa de Piên, o hospital atingiu 100 consultas ambulatoriais oferecidas pelo SUS. O avanço contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Piên, que vem articulando, em parceria com a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, estratégias para ampliar o acesso à saúde pública na região.
Internações de alta complexidade
Em 2023, a rede filantrópica realizou 61% das internações de alta complexidade; a rede pública contabilizou 27%, contra apenas 10% da rede privada. Os hospitais filantrópicos também têm registros expressivos no atendimento de casos delicados, como atendimentos oncológicos, cirurgias cardíacas e de alta complexidade.
Essa rede de atendimento também contabiliza números expressivos na realização de transplantes de órgãos, sendo responsável por 70% dos procedimentos realizados — 68% de medula óssea e 62% de tecidos e células.
Custos e desafios
O SUS cobre, em média, 60% dos custos dos procedimentos realizados em Santas Casas e hospitais filantrópicos; os demais custos são supridos, geralmente, por meio de doações, empréstimos e outras ações de incentivo, o que pode ocasionar dificuldades financeiras para as instituições.
A regulamentação é outro desafio enfrentado pelo setor filantrópico. Em 2024, a sanção da Lei 14.820/24 estabeleceu a revisão anual dos valores de remuneração pelos serviços prestados ao SUS. Essa iniciativa é um passo importante para garantir a sustentabilidade da rede filantrópica, porém, as instituições ainda aguardam a regulamentação da lei.
Sustentabilidade da parceria com o SUS
A rede hospitalar filantrópica representa uma parte estruturante do Sistema Único de Saúde (SUS), desempenhando um papel relevante na oferta de serviços à população. Instituições como as Santas Casas e os hospitais filantrópicos têm atuado de forma complementar à rede pública, contribuindo para a ampliação do acesso à saúde.
Essas unidades seguem como parceiras estratégicas do SUS, com participação significativa no atendimento hospitalar em diversas regiões do país. O trabalho conjunto visa aprimorar a qualidade e a eficiência dos serviços prestados, com foco na ampliação da cobertura e na redução das desigualdades no acesso à saúde.
Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba
A entidade filantrópica foi fundada em 1852 e é reconhecida pela excelência em saúde, ensino e pesquisa. Comprometida com a solidariedade para oferecer um atendimento humanizado, a ISCMC gerencia cinco unidades hospitalares, incluindo a Santa Casa de Curitiba.
Fotos:
Fernando Frazão / Agência Brasil
Acervo Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba
